quarta-feira, outubro 31, 2007



Boas pedidas no Lágrima...

Compilações de punk rock dos anos 80 (barulho histórico!).

"Bootleg" de um show do Joy Division, de 1979.

Discografia do Nação Zumbi.

Aproveitem... enquanto há tempo.

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sábado, abril 07, 2007


Mais um motivo pra ficar puto, mais um motivo pra não acreditar na tal "Justiça".

Na semana que passou, mais uma ocupação urbana foi despejada pelos tubarões de sempre.

Uma ocupação, não uma "invasão", como a mídia qualifica pra melhor desqualificar movimentos sociais que não fazem nada mais do que pôr em prática um princípio constitucional: o direito à moradia.

Dois amigos meus moravam na Ocupação Poeta Xynaíba. Caras que se envolviam em projetos lá dentro (e em outras ocupações). Caras que ajudavam a dar vida a algo que os proprietários deixam morrer, sem dar ao imóvel a tal "função social" de que fala a "magna carta", tão citada pelos tubarões quando se enraivecem contra os supostos "atentados à constiuição" praticados por movimentos sociais que eles julgam "ilegais", "criminosos".

Mas o que falar dessa propriedade privada imoral? Dessa especulação imobiliária canalha?

O curioso é que esses filhos da puta -- não há melhor qualificação -- deixam prédios e residências apodrecerem, caírem aos pedaços. Quando os sem-teto ocupam e dão função social ao imóvel, os filhos da puta se movimentam de uma forma impressionante, se ouriçam, mobilizam seu exército de advogados pilantras e juízes vendidos, endossados pelos jornalistas escrotos que tratam de passar à opinião pública a versão que mais convém.

Meu amigo Durden resumiu muito bem a questão no seu texto "Indignação!". Texto cheio de revolta que dá força pra lutar, em vez de entregar os pontos.

Só lamentei não ter sabido a tempo para prestar a solidariedade aos moradores, no dia do despejo, marcando presença, xingando os hipócritas que lá estavam a cumprir as determinações da "justiça".

Como a "justiça" de merda faz as regras de seu jogo, rapidamente cassaram a liminar do advogado da ocupação, que tinha conseguido adiar a expulsão dos moradores. O lance é esse: pegar todo mundo desmobilizado, sem aviso.

Mas deixa estar... Jogo em andamento, foi só um lance.

Se morar é um direito, ocupar é um dever!

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Dois blogs bacaníssimos pintando na onda do compartilhamento.

Kapheina traz rock'n'roll quentinho, caindo na xícara, pra deixar ligado.

De bate-pronto destaco Siouxsie & The Banshees, Patti Smith, The Breeders e Lou Reed (ao vivo em Berlim, 1973).




Outro é o Yes to Jazz, autodefinível, que me faz o favor de colocar na minha frente vários álbuns do genial Charles Mingus. Cara, quanto tempo que eu não ouvia Mingus! Muito foda, muito foda!


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Estou ouvindo agora, enquanto cavuco o teclado, a pedrada chamada MC5. Os cinco da cidade dos motores! Os proto-punks! Os punks viscerais eletrificando o flower power! Ramblin'Rose! Caracas, muito bom!

O Lágrima Psicodélica dando de bandeja uma pá de discos (e informações!).

Altamente recomendável.

MC5 - 1

MC5 - 2

MC5 - 3

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Bacaníssimo o texto do chapa Fernando sobre o gato.

Vale a pena conferir.

O cara traz um sabor especial pra história desse bicho que serviu de símbolo para várias culturas.

Só pra instigar a leitura, vai um trecho bem legal:

Falo do gato porque o sei independente, belo, e o gosto. Minha tia tem um gato e ela tem um grande apreço por magia e misticismos, para ela essa incrível figura é também uma espécie de defensor da alma, de maus augúrios. De fato Cornélio Agripa em "De Occulta Philosophia” dizia, em estranhas palavras, que os gatos seriam da mesma natureza da menstruação e que com ambos“muitas coisas maravilhosas e milagrosas podem ser trabalhadas pelas feiticeiras”. O vasto simbolismo da feiticeira se alia ao gato, isto é, a mulher e sua ligação com o espiritual. Não é sem nexo que muitos shamans se vestiam de mulher para entrar em contato com o mundo dos espíritos.

Viagem...

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uma gata...



... para katonigra.



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terça-feira, março 13, 2007



"cada qual com seu james brown
salve o samba, hip-hop, reggae ou carnaval
cada qual com seu jorge ben
salve o jazz, baião, e os toques da macumba
também"

salve chico,

"Viva Zapata!
Viva Sandino!
Viva Zumbi!
Antônio conselheiro!
Todos os panteras negras
Lampião sua imagem e semelhança
Eu tenho certeza eles também cantaram um dia."

"(Olinda, 13 de março de 1966 - Recife, 2 de fevereiro de 1997)"

[sampleando O Rappa ("Brixton, bronx ou baixada"), Chico Science ("Monólogo ao Pé do Ouvido") e Wikipédia]

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domingo, março 04, 2007



Novos moradores da seção favoritos:

Central Punkrock.

Blog que compartilha discos e outros materiais relacionados ao punk.

Registros de uma história que vem completando duas, três décadas...

Mas também há produções recentes.

Muito legal.

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O Inimigo do Rei.

Blog que conta um pouco da história dessa experiência de imprensa alternativa publicada entre 1977 e 1988.

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quarta-feira, janeiro 17, 2007






z.

Tropeçando pelos hiperlinks, tropeçando...

Assim descubro a série de fotos acima, num blog que promete trazer o melhor e o pior da internet. Curiosa salada de coisas... links que não acabam mais... tropeços garantidos.

Desde a cara das celebridades antes da fama até o que há de mais estúpido e original em tatuagens.


y.

Na verdade eu procurava um disco do At The Drive-In. Achei um clipe muito legal, naquele mesmo blog, no qual os caras falam da violência contra as mulheres em Ciudad Juarez, no México. Impressionantes números de crimes não solucionados... e o cheiro da cumplicidade das autoridades locais. De quebra, os caras denunciam a existência das fábricas "maquiladoras" na fronteira com os EUA: mais uma artimanha do capital para reduzir custos, se reproduzir e continuar sua marcha de exploração sobre os mais fodidos. Grande tema, grande som, grande clipe.

x.

nãO sei como, mas no caminho me deparei com um álbum do The Durutti Column, um projeto-banda de um cara chamado Vini Reilly, na estrada desde os anos 80.

dE cara o nome me chamou a atenção: uma referência a Coluna Durruti, uma milícia capitaneada pelo lendário anarquista espanhol Buenaventura Durruti durante a guerra civil (1936-39).

umA grata surpresa: um disco do ano passado, chamado "Keep Breathing". ouçO agora, agora... trabalho sofisticado, cheio de atmosferas intimistas, viajantes...

nO blog onde catei o álbum há um link pra baixá-lo.

w.

Mais música: pra quem gosta do universo indie(gesto) [indigesto é esse trocadilho!], o Indienation traz mostras de produções recentes (embora tenham mandado muito bem oferecendo uma "velharia" que não deixa de soar absurdamente bom: Joy Division).

v.

pois é... tropeçando.


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sexta-feira, janeiro 05, 2007

Zumbi do Mato - O alien que veio pro espaço

e o Caetano Veloso... "quero um potinho de anhããããããnha".

2007, 2007...

não... prefiro falar de "velhos" tempos. dar prosseguimento ao TPAA90. ãh?! agora é parte II.

e é com muito carinho que eu falo do Zumbi do Mato.

como se fosse hoje, sim, como se fosse hoje...

posso ver aquela tosca fita K7 demo na minha mão, comprada num porão udigrudi, lá pelos anos 90. chego em casa e boto o troço... putz, mó legal!

coisas já andam fazendo 10 anos, né chefia? nostalgia-sedex: chegando ligeira.

o Zumbi foi uma das melhores coisas que eu ouvi na minha vida. um experimentalismo genial-hilário, que dá de dez a zero em qualquer experimentalismo posudo, música dodecapentelhofônica, esquisitices percursivas de hermetos e pascuais... geniais, sem dúvida, mas quase sempre chatas.

não, não... pra que comparar? paro por aqui.

o que é o gosto, afinal? ó, o gosto? o que é o belo?

o Belo eu sei quem é... o cara que pega a Viviane Araújo.

mas, deixa quieto... estou me desviando do alien que veio pro espaço... do Zumbi!

não estou com saco de fazer micro-biografias, nem consultar os largos anais do underground carioca, mas, no feeling, puxando pela memória macarrônica, o Zumbi do Mato surge num contexto que eu me lembro bem. bandas como Sex Noise, Poindexter, Planet Hemp surgindo, O Rappa idem, Second Come, Pelv's, Piu Piu e Sua Banda...

(e a minha banda, que nunca foi pra frente, podia estar na lista também... fazê o quê?)

havia uma cena interessante, altos e baixos, como sempre. zona oeste/zona norte. lona de Campo Grande, Garage, Circo ainda parecendo circo.

mas Zumbi se destacava pelas letras inspiradas, poesia-peido de odor marcante. no instrumental, o salutar desdém às guitarras e a vibração de teclados retro-progressivos, com cólicas psicodélicas, barulinhos noiados, bateria e baixo em linhas tortas com lordose. e o vocal magnífico, fanhoso, encatarrado. genial!

e o que é o gosto a não ser o que alguns críticos (os eternos artistas frustrados) julgam ser apropriado?

eu digo que Zumbi do Mato foi uma das melhores revelações da música popular brasileira, extravasando as fronteiras do roquenrol.

a posteridade dará o devido valor a versos como "vai chupar cocô pra ver disco voador/hecatombe intestinal/beuzebu é maioral", "eu e meu pão com mortadela olhando o céu azul", "gosto do flamengo porque é vermelho e preto/por isso gosto de ruiva quando pinta o cabelo de preto", "fica molhada que eu quero meter"... lindo!

os clipes que postei são de músicas daquela demo dos anos 90. os caras atravessaram a década, estão na ativa, mas privilegiei esse início aí, essas músicas que agora ganham as imagens. naquele tempo não tinha youtube...

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Zumbi do Mato - Potinho de Anhanha

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quarta-feira, dezembro 27, 2006

Radiohead - Lucky (Live)


e 2006 se vai...

um som para viajar.

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domingo, dezembro 17, 2006



Mulheres... mulheres que tocam em bandas de rock.

PJ Harvey.

Manuseia a guitarra, a voz.

Cresce ouvindo blues... John Lee Hooker, Muddy Waters...

Oito anos aprendendo saxofone.

Delgada menina de olhos claros.

Sob um céu azul saltos de agulha em pedais de distorção.

Marca a cena indie dos anos 90.

Eletrificada musa.

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PJ Harvey - Dress Live Big Day Out 2003

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quarta-feira, novembro 29, 2006

Tributo particular aos anos 90 (parte I)


oK, oK... mE informa a história que os Pixies começaram a existir em 1986, em Boston. O vocalista/guitarrista Charles Thompsom (ou Black Francis) se junta a Joey Santiago (guitarra); depois convidam Kim Deal (baixo), que chama David Lovering(bateria).

O caminho óbvio na terra onde a indústria cultural tem grana de sobra pra bancar a molecada que surge nas garagens: shows no underground local, olho vivo de um produtor (Gary Smith) e a gravação de uma demo ("Purple Tape"). Em 1987 lançam o EP "Come On Pilgrim", pela 4AD Records.

Em 1988, Steve Albini produz o primeiro album: "Surfer Rosa" -- uma porrada simultaneamente raivosa e melódica, liquidificando punk, música latina, hardcore, surf music e riffs de baixo e guitarra que pavimentam a estrada indie que marcaria a década seguinte. Nesse sentido,"Gigantic" e "Where is my mind?" surgem como hipnóticos mantras para a geração das blusas de flanela.(Vale abrir o parêntese pra lembrar da antológica cena final de "Clube da Luta"... Pixies caindo como uma luva ali, não?).

No ano seguinte, "Doolitle",na minha opinião melhor "no conjunto da obra". Contudo, não passa do prolongamento inspiradíssimo de "Surfer Rosa", sem qualquer superioridade estética. Decreto empate. E talvez seu valor maior seja o de ter projetado a banda com hits como "Here Comes Your Man" e ter funcionado como um daqueles discos do final dos 80 que marcaram época(aí também coloco o "Daydreamnation", do S.Youth, e o "Bleach", do Nirvana... entre outros).

Tudo bem... "Oficialmente" os anos 90 começam em 1990. E,pra completar, os Pixies dão uma parada no início dessa década, tocando projetos paralelos, com destaque para The Breeders, da baixista Kim Deal, que considero melhor do que a irregular carreira solo de Black Fancis (depois, Frank Black).

Mas não era o fim ainda. Em meados de 1990 eles soltam o terceiro: "Bossanova". Em 91, o quarto e último: "Trompe le Monde". Não há como negar que são bons discos, com algumas músicas ótimas (como a versão para um som do Jesus & Mary Chain, "Head On"). Mas, "no conjunto", são álbuns que não igualam os dois anteriores, talvez já evidenciando o iminente rompimento, que se dá ironicamente antes mesmo que a década "engrene".

Porém não vejo isso como um defeito. Pelo contrário, vejo aí a qualidade dos Pixies: sintetizar numa carreira rápida (não contando a volta recente) o que viria a marcar a música rock-pop dos 90.

(No caso do rock, muitas vezes é melhor detonar logo uma banda antes de detonar a reputação. Mas isso é outra história...)

Por tudo isso, neste meu tributo aos anos 90, coloco os Pixies como uma daquelas bandas de transição, que já antecipam tendências futuras. O que nos faz concluir que as periodizações são mesmo arbitrárias, subjetivas, e que uma atenção aos momentos de transição, às margens, quase sempre revela o que há de melhor.

Então, vá lá: Pixies inaugura este meu "tributo subjetivo" a uma década que marca minha própria transição... da fedelhice à idade "adulta" (diga-se, sempre atrasada mentalmente uns 10 anos... ;=P).

Três videozinhos bacaninhas, uma letrinha maneirinha e um disco que resume bem o que significou o "fenômeno" Pixies.


Mais info:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Pixies

http://www.pixiesmusic.com


Download "Live BBC"


Hey (do disco "Doolittle")

Hey
Been trying to meet you
Hey
Must be a devil between us
Or whores in my head
Whores at my door
Whores in my bed
But hey
Where
Have you
Been if you go I will surely die
We're chained

Uh said the man to the lady
Uh said the lady to the man she adored
And the whores like a choir
Go uh all night
And mary ain't you tired of this
Uh
Is
The
Sound
That the mother makes when the baby breaks
We're chained

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The Pixies : Where Is My Mind (1988)

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The Pixies - Hey (Live)

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sexta-feira, outubro 06, 2006


I.

porcos, porcos, porcos capitalistas.

continuam a nutrir sua lógica ilógica,

sua racionalidade irracional,

seu modo de vida suicida.

um imaginário social arraigado, que de certa forma anda por si só, haja vista a concordância da maioria silenciosa.

alta capacidade de reprodução, de convencimento... capital: uma relação social.

porcos no céu...


II.

quando bate a onda nostálgica... fodeu.

e saudade do que nunca viu?

estou viciado nessa parada de baixar discos.

é extremamente prático, relativamente barato e, numa só tacada, burla e alimenta os porcos que enchem a pança.

burla de leve a indústria fonográfica, que perde alguns milhõezinhos na venda dos discos.

mas ainda assim alimenta com bilhões os mesmos barões da indústria fonográfica, inseridos no grande banquete da indústria cultural, que agora lucram com softwares, computadores, tocadores de mp3, provedores e outras milhares de coisas.

ou não se ligaram nas mega-fusões tipo aol-time-warner?

não jogam pra perder...

prova que nada é tão simples... tudo está marcado por complexidades... e a luta só pode se dar nessa teia de contradições.


III.

como já comentei, ando consumindo muito uma droga chamada Pink Floyd.

altamente psicodélica.

deve ser a tal onda nostálgica.

há ondas, marés...

e essa onda de baixar discos está me levando a coisas antigas, mofadas nas fitas k7 perdidas (ou vice-versa).



IV.

mais uma coisa sobre contradições: o resultado das urnas.

vejam quantas abstenções, votos nulos e brancos.

se não me engano o número dos que não escolheram ninguém para presidente tirou o 3º lugar. ficou na frente até da Heloisinha Paz e Amor.

no caso de senadores e deputados, grande percentual para nulos/brancos.

não foi à-toa a grita dos porcos da política, da justiça, do legislativo... os atores canastrões que interpretam bem seus papéis pseudo-racionais nesse sistema irracional. eles gritavam: "não abram mão do seu direito", "o país está em suas mãos"...

qualquer pessoa um pouco mais exigente/consciente enxerga que o sistema democrático burguês, tal como está, não faz representar verdadeiramente a vontade da coletividade. é centralizado, é viciado, é construído para absorver impactos e debelar a radicalização da própria democracia.

o ruim é que muita gente elegeu o nulo/branco/abstenção como um ato de revolta localizada ou passageira... ou pior: como expressão de um niilismo total, sem cagar e andar pra nada, num individualismo selvagem que só deixa os porcos mais gordos.

no final das contas, ainda permanecem na lógica da democracia representativa, não enxergam outras formas de organização social, de política, de modo de vida. carecem de mais (contra)informação, haja vista toda a mistificação feita pelos porcos-intelectuais e porcos-especialistas do porco-consenso.

e grande parcela da esquerda que ainda se diz "revolucionária" não abre mão de antigas convicções teóricas. e muitos, sejamos sinceros, gostam mesmo do poder, têm orgasmos com a cadeira de rei, têm vaidades com a faixa presidencial, com o Estado. eles amam o culto à personalidade e sempre dispõem de um bando de porquinhos teimosos e barulhentos que adoram devorar cartilhas vermelhas. oinc, oinc, oinc...



V.

"Os homens estão dispostos a ser prestáveis até ao momento em que têm poder". (Vauvenargues)

"Os detentores do poder ficam tão ansiosos por estabelecer o mito da sua infabilidade que se esforçam ao máximo para ignorar a verdade". (Pasternak)

"A ânsia de poder não é originada da força, mas da fraqueza". (Erich Fromm)

"A política... há muito tempo deixou de ser ciência do bom governo e, em vez disso, tornou-se arte da conquista e da conservação do poder". (Bianciardi)


VI.

acabo de ouvir "A saucerful of secrets"...

é curioso por estar na transição: saída de Syd "porraloca" Barret, entrada de David Gilmour (se não me engano, foi o primeiro LP com o Gilmour...). dá pra notar o pé no psicodelismo dos anos 60, com uma levada rock característica, e a presença das primeiras longas viagens musicais que marcariam a banda nos anos 70.

e saudades também do que nunca vi: os piratões, os "bootlegs", que eram difíceis, raros, caros...

filé...



VII.

se o momento realmente não é de derrubada dessa estrutura complexa-sólida, não vejo por que não propagar a idéia de uma outra política já neste momento, no contexto mesmo das indignações diante da política-cênica do Estado liberal.

as tais ondas de corrupção estão aí desde os tempos de colônia... e vão continuar tragando todo mundo e alimentando o teatro da imprensa "indignada", guardiã das sagradas "instituições democráticas" e do "Estado de direito" que tanto agradam aos magnatas da comunicação e sustentam o nível de vida pequeno-burguês dos jornalistas.

todas as tímidas conquistas rumo a esta "democracia" que aí está foram obtidas depois de muita pressão. todas as instituições que aí estão são produtos sócio-históricos, não caíram do céu, nem têm atestado de imortalidade.

assim como surgiram, podem ruir... historicamente.

propor/propagandear a radicalização/criação de novos mecanismos de participação faz sentido, mesmo que as tais "condições objetivas" nos mostrem, de fato, que é coisa de difícil implementação imediata.

mesmo assim, prefiro lutar com os debaixo... e à esquerda.

VIII.

bom... se alguém aí gosta, vai um presente.

um link pra links que levam a... 60 discos do P.F.!

http://sharez.cn/article.asp?id=11012

aproveitem! viciem-se também!


IX.

será que estou sendo chato demais com o sistema político atual?

será que também não é necessário utilizá-lo como mais um espaço de luta?

sim... acho que deve ser usado.

em determinadas situações, taticamente falando, pode servir para implementar leis e práticas menos injustas.

em alguns casos,devemos agir de modo realista (e me refiro especificamente aos anarquistas, os mais críticos em relação ao sufrágio universal burguês) e até usar o voto ou alguma outra forma de intervenção direta no Estado.

comentava com um amigo sobre a opção de voto de grupos anarquistas dos EUA para Al Gore, candidato democrata há pouco tempo. foi algo tópico, localizado, para deter a escalada do porco-fascista Bush... ninguém estava iludido que o sistema iria se modificar com Gore... nenhum deles deixou de condenar a estrutura como um todo. era uma opção tática contra um cenário pior.

outro exemplo foi a polêmica participação dos anarquistas espanhóis no governo republicano durante a Guerra Civil (1936-39). não conheço bem os meandros da história, mas suponho que tenha sido uma opção frente ao avanço do fascismo. uma opção nitidamente tática.

obviamente, cabe discutir caso a caso... sem sectarismo.


X.

o engraçado é que eu tinha certas implicâncias com as músicas muito longas, de mais de dez minutos...

era a aborrecência punk... ouvido muito treinado com Ramones e Dead Kenedys em churrascos em que palcos eram muretas de varandas e o mosh era para uma platéia de meia dúzia de bebões que mal te seguravam.

outra coisa também era que o P.F. foi meio negligenciado quando o assunto era os 60/70. eu estava lá ouvindo sempre o Hendrix, o Velvet, The Who, Stones, Stooges... P.F. só de vez em quando.

agora noto que é impossível qualquer lista dos melhores dessa época sem pôr o P.F.

e geralmente eram os caras mais velhos que eu via curtindo as viagens tecladeiras, o blues etéreo...

ééé... agora sou eu. agora mais disposto a apreciar as longas viagens. :-)

(PS.: pero sin perder la ternura punk... jamás!)


XI.

até me esforço pra acreditar em alguns políticos com "boas intenções" (isso é um termo vago, de difícil definição... o que é ser "bem intencionado" na atual conjuntura), mas os vejo dar de cara num muro intransponível, ora sendo descaradamente cooptados e deslumbrados com o poder, ora se decepcionando e abandonando o barco. (lembro do caso de Proudhon na assembléia francesa...).

se há os que acreditam ainda e apoiam este canal como algo central nas lutas, ok... sigam em frente.

em vez de votar com os de cima, prefiro lutar com os debaixo, pressionando esse mesmo sistema e clamando para que ele enfim desmorone e ceda lugar para outro, mais radicalmente descentralizado e democrático.

em vez de entrar num partido qualquer, até os "de esquerda", prefiro me juntar a movimentos sociais ativos, conectados à idéia/prática de ação direta e funcionando internamente com base na horizontalidade de decisões.

um "louco" a dar murros no ar?

pode ser...

mas é assim que me sinto saudável.


XII.

"The piper at the gates of dawn"...

salve Barret (1946-2006)!

viva a loucura sã!


XIII.

a militância por outra política foi difícil nestas eleições, pois o balaio de gatos defendendo o protesto nas urnas (com o nulo ou a abstenção) reunía alguns porcos fascistas de sempre, com saudades da falecida ditadura... ou de alguma outra coisa bem dura.

um balaio que também reunía os que defendiam o nulo como um recado a estes políticos de agora, apostando ainda numa renovação dos quadros.

no comitê pró-voto nulo, tínhamos a todo momento de nos confrontar com as matérias tendenciosas da porca-mídia corporativa (ou "porcorativa"?!), tentando desqualificar o protesto como "apolítico", "alienado"...

em meio a perguntas capciosas, recursos aos porcos-especialistas-de-sempre e edições mistificadoras, os membros do grupo tinham de reafirmar a todo momento a não centralidade do tema "voto nulo" em nossa campanha (ou seja: voto nulo pelo voto nulo), e sim o protagonismo da questão "outra política".

estávamos e estamos sendo políticos, e democratas... muito mais do que os porcos-de-terno-no-congresso possam imaginar.

o direito ao voto nulo de protesto, o direito ao voto não obrigatório, o direito à participação efetiva nos assuntos que nos dizem respeito: tudo era desqualificado, encoberto e posto num mesmo saco de "apoliticismo", "inconstitucionalidade" e "desserviço à nação".

nada mais porcamente mistificador.


XIV.

um link para aprofundar essas questões:
http://votonulorj.blogspot.com



XV.

será que o sistema já não está bom, só faltando reformar uma coisinha aqui e ali?

veja só... a legislatura que virá parece estar primando pela "renovação" do quadro político.

sangue novo no congresso! vários especialistas que farão o máximo para legislar sobre os mais variados assuntos.... eles são polivalentes, suponho.

veja só... Frank Aguiar, um especialista em forró brega; Clodovil, um especialista em queimação de rosca...

e de volta um político que sempre fez um papel exemplar: Maluf, um especialista em beijar bota de ditadores.



XVI.

Por favor, Castoriadis... me jogue algumas frases salva-vidas, antes que eu me afogue nessa lavagem de porcos chamada "democracia representativa":

"É evidente que o que caracteriza o mundo contemporâneo são as crises, as contradições, as fraturas; mas aquilo que realmente me chama a atenção é a mediocridade. Tomemos a discussão entre esquerda e direita. Ela perdeu o sentido. Tanto uns como outros dizem a mesma coisa."

"Os dirigentes políticos são impotentes. A única coisa que podem fazer é seguir a corrente, ou seja, aplicar a política ultraliberal da moda. Os socialistas não fizeram outra coisa desde que voltaram ao poder. Não se trata de políticas, mas de políticos, no sentido de politiqueiros. Gente que caça voto de toda e qualquer maneira. Não têm programa algum. O seu objetivo é permanecer no poder ou voltar ao poder e para isso são capazes de tudo."

"Nada garante que quem sabe governar sabe como fazer para chegar ao poder. No tempo da monarquia, para chegar ao poder era necessário bajular o rei, cair nas graças de Madame Pompadour. Hoje em dia, na nossa "pseudodemocracia", a arte de chegar ao poder consiste em ser fotogênico na televisão, em saber farejar a opinião pública. Digo "pseudodemocracia" porque sempre achei que a democracia dita representativa não é uma democracia de verdade."

"Não que haja necessariamente fraude nas urnas. A eleição é trambicada porque as opções se definem previamente. Nunca se indaga ao povo quais são os assuntos sobre o quais ele quer votar. Dizem-lhe, por exemplo: "Vote a favor ou contra Maastricht". Mas quem é que elaborou o tal tratado de Maastricht? Certamente não foi o povo."

"Ao invés das pessoas se habituarem a exercer todo tipo de responsabilidade e a tomar iniciativas, habituam-se a seguir cegamente ou a votar nas opções que lhes são apresentadas."

"O que prevalece, hoje, é a resignação, mesmo entre os representantes do liberalismo. Qual é o grande argumento que se ouve agora? "Talvez seja ruim, mas a alternativa seria pior." E isso imobilizou um bocado de gente. Ficam dizendo, para seus botões: "Se a gente fizer muita onda, vai acabar num novo Gulag." É isso que existe por trás deste esgotamento ideológico; e dele só sairemos se uma crítica poderosa ao sistema realmente vier a ressurgir. Junto com um renascimento da atividade e da participação das pessoas."

"As instituições dos dias de hoje enxotam, afastam, dissuadem as pessoas de participar. E, no entanto, em matéria de política, a melhor educação é a participação ativa - o que exige uma transformação das instituições de modo que essa participação passe a ser permitida e incentivada."


XVII.

isso aí, meu brother. valeu mesmo pelas palavras.

que sejam sempre rememoradas, realimentando o "imaginário social radical" que move as rodas da história.

leiam na íntegra, por favor:

http://www.pfilosofia.pop.com.br/04_miscelanea/04_17_lmd/lmd002.htm

basta de mediocridade!


XVIII.

e V, diante da estátua da justiça, trava com ela um diálogo imaginário:

- perdoe-me a intromissão, talvez a senhorita pretendesse passear... apenas desfrutar a paisagem. não importa. creio que é chegado o momento de uma breve conversa. ahh, eu me esqueci de que não fomos apresentados. madame justiça... este é V. V... esta é madame justiça. olá, madame justiça.

"boa noite, V."

- pronto. agora já nos conhecemos. para ser sincero, outrora fui um admirador seu. até imagino o que está pensando... "o pobre rapaz tem uma queda por mim... uma paixão juvenil." eu a admirava, apesar da distância. ainda criança, passando pela rua, eu admirava sua beleza. por favor, não pense que se trata apenas de atração física. em absoluto. eu a amava como pessoa, como ideal. isso foi há muito tempo. agora, confesso que há outra...

"o quê? que vergonha, V! traindo-me com uma meretriz de lábios pintados e sorriso vulgar!"

- eu, madame? permita-me uma correção. foi a sua infidelidade que me arremessou nos braços dela! ah! ficou surpresa, não? pensou que eu desconhecia suas escapadelas? enganou-se. eu sei de tudo. na verdade, não me surpreendi quando soube que você flertava com homens de uniforme.

"uniforme? e-eu não sei do que está falando. sempre foi você, V... o único em minha vi--"

- mentirosa! meretriz! ousa negar que se deixou envolver por ele, com suas braçadeiras e botas? e então? o gato comeu sua língua? foi o que pensei. muito bem. a verdade foi revelada. você não é mais minha justiça. é a dele. recebeu outro em sua cama. faça bom proveito de seu novo amante.

"snif! snif! q-quem é ela? como se chama?"

- seu nome é anarquia. e ela me ensinou mais como amante do que você imagina. com ela aprendi que não há sentido na justiça sem liberdade. ela não faz promessas e nem deixa de cumpri-las como você. eu costumava me indagar por que jamais me olhou nos olhos. agora eu sei. por isso, adeus, cara dama. nossa separação não me entristece, uma vez que não é a mulher que amei outrora.

[...]

{Alan Moore - "V de Vingança"}

XIX.

"A liberdade é difícil. Porque é muito fácil a gente se deixar levar. O homem é um animal preguiçoso. Há uma frase maravilhosa de Tucídides: "É preciso escolher: descansar ou ser livre." E Péricles dizia, ao povo de Atenas: "Se quiserem ser livres, vocês têm que trabalhar." Não podem descansar. Não podem ficar plantados na frente da tevê. Vocês não são livres quando estão na frente da tevê. Vocês se imaginam livres ao apertarem como idiotas os botões do controle remoto, mas vocês não são livres; isso é uma falsa liberdade. Liberdade é atividade. E a liberdade é uma atividade que ao mesmo tempo se autolimita, ou seja, sabe que pode fazer tudo, mas sabe que não deve fazer tudo. Esse é o grande problema da democracia e do individualismo."

(C. Castoriadis, 1922-1997)

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quinta-feira, setembro 21, 2006



Devo compartilhar com meus amigos-leitores três "achados" na internet que vêm satisfazendo minha sede de arte há algum tempo.

Três blogs que fornencem links para compartilhamento de arquivos: Lágrima Psicodélica, Clipes de A a Z e Exercita.

O "Lágrima" fornece tesouros para quem gosta de música pop-rock: discos inteiros, ao alcance de um clique (no momento em que escrevo, baixo um disco do The Fall, banda foda dos 80's).



Tem de tudo: do mais bizarro ao mais raro. Mas existe uma quantidade considerável de coisas boas. Vale um pouco de paciência para explorar postagens anteriores e esperar o blog carregar, já que é pesadaço.

O mais legal é que os caras colocam informação, dão os nomes das músicas, as capas dos discos. Achei muito bom. (Curioso que, entre os administradores, tem um quase xará chamado JH II).



O "Clipes de A a Z" está no mesmo esquema: vai de Abba a Zappa. Mas peguei uns vídeos impagáveis. Tem um do Black Flag bem velho, de 83, os caras ensaiando. Fenomenal.

Também tem um show dos Stooges, de 1970, Iggy Pop alucinado, rebolativo no palco, passeando no meio da platéia, subindo por cima da galera,jogando pipoca e mostrando a língua. Hilário!

E ainda Pixies tocando naquele programa americano que o Jô Soares (baba ovo!) imita descaradamente.



Já o "Exercita" é o paraíso para quem gosta de hqs. Ele fornece links para outros sites que disponibilizam de tudo (destaque para o Rapadura Açucarada). Coleções de Sandman, Hellblazer, Akira, Sin City... Tem até Heróis da TV (pô... isso é véio). E tem Angeli, Crumb, Manara,Crepax, Laerte, Henfil, Calvin...

Muitas coisas novas e raras (e caras!) em papel, escaneadas e zipadas, prontas pra cair direto no meu HD... que tá ficando obeso.

Nesse esquema consegui o excelente V de Vingança, de Alan Moore. Obra definitiva dos quadrinhos que traz uma das melhores definições de anarquia que eu já li.

Isso aí... seguindo aquele lema: arte não se compra, se compartilha.



PS: Legal se ligar nas dicas que os caras dão para baixar os arquivos.Há uns programas úteis, como o WinRar (tipo um WinZip) e o CDisplay (para ler os quadrinhos). Depois é só correr pro abraço...

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terça-feira, agosto 15, 2006



e de repente ele estava à deriva,

à beira do canal que separava a ilha do continente,

num barco pifado, comandado por um boliviano,

pensando na contradição de ter um boliviano no comando

(algúem que nasceu num país que não tem saída para o mar).

um certo desespero iminente, confirmado mais tarde por nuvens negras no horizonte,

relâmpagos singrando e a imagem de uma tempestade à espreita, mar grosso, a inevitável virada...

ainda assim aquele pôr do sol,

a silueta da ilha ao fundo,

a mente parada no tranqüilo e silencioso nada.

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e de repente ele lembra disso ao ouvir o som de John Frusciante.

melodias praieiras,

californianas

(mas serviriam para qualquer litoral),

pôr do sol...

(boa trilha para aquele pôr do sol à deriva).

guitarras econômicas (no sentido de não precisar ser uma espalhafatice tipo "guitar heroe").

efeitos inteligentemente aplicados.

temperos eletrônicos que não tiram o sabor anos 60/70.

riffs que exalam tristeza poética.

(talvez a tristeza retrospectiva de quem se afundou na heroína, perambulou pelas ruas...

...mas sobreviveu).

pô... mandou.


http://www.johnfrusciante.com
(site que disponibiliza alguns sons...)


http://pt.wikipedia.org/wiki/John_Frusciante

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terça-feira, junho 20, 2006


A beleza do barulho estava bem localizada ali pelos anos 90.

Já havia uma estrada, é verdade, trilhada há "tempos imemoriais"...

Ela começa com as esquisitices experimentais do Velvet Underground (o suave-rude num só movimento), a gutural distorção dos "proto-punks" (Stooges, MC5...), o ruído lisérgico de Hendrix (sagrado dissonante... [sagrado deus-sonante?]).

Barulho poético, melodias de moto-serra...

O ruído, a distorção, a microfonia aveludada, que ganham nos anos 80 a sua radical aplicação lírica: os escoceses do Jesus & Mary Chain em seu primeiro disco (de 1985... se não me faltam neurônios). Um rock-pop-água-com-açúcar que, de repente, se viu misturado com Baigon. Explode... Conta a lenda que os caras resolveram experimentar uns pedais japoneses e... "Just like honey".

Daí os 90's chegam e trazem sub-espécies como o "noise", o "guitar"... desdobramentos daqueles amplificadores estridentes dos 60's.

Sonic Youth, Yo la Tengo, My Blood Valentine, Pavement...

No Brasil, no Rio, duas bandas despontaram, ali pela primeira metade da década, nos porões do underground: PELVs e Second Come.

Aí vem aquela questão: um bando de caras-cariocas que resolvem cantar em outra língua (em vez de pegar um pandeiro, um berimbau, misturar com hip-hop e partir pra galera). Válido?

Acho que a qualidade justifica: Second Come/PELVs ("apesar da" e -- por que não? -- "justamente pela" produção podreira) soam tão bem ou melhor do que os congêneres gringos.

(Espaço pra todos...).

"Peter Greenaway’s Surf" (bela capa reproduzida aê encima... Virna Lisi [se não estiver enganado] de maiozinho listrado, na beira da praia, com olhar de c'mon baby), de 1993, foi o primeiro disco da PELVs. Gravado em três dias, num porta-estúdio de oito canais... Com tal produção poderia até ser punk, mas saiu uma tosca-trilha-rock-pop-surf-noise-praieira.

Belo fundo musical para melancólicas tardes de litoral (principalmente as baladinhas)... pensando nos olhos de alguém que se olha quando estamos de olhos fechados.

(Lou Reed faz escola...).

Quatro anos depois (1997) eles vêm com "Members to Sunna". Em 2001, "Peninsula", "o disco que você levaria para uma ilha deserta", de acordo com o release da banda. Mais bem produzidos, não menos bonitos.

Second Come teve vida bem mais breve (1990-94)... mas meteórica (leia-se: impactos que se sentem apenas nas profundezas do udigrudi... grãos de areia estrelar diante dos mais vendidos do mainstream).

Lembro que descolei o primeirão, "You!" (vinil, é lógico), num sebo -- acho que no mesmo dia em que fui comprar remédio para espinhas. Aborrecência elétrica.

Lá se vai mais de uma década... (quando ainda existiam guitarras).

No Second, mais do que na PELVs, rolava como nunca aquela dialética peso-suavidade, microfonia-melodia... Ora se tem a impressão de estar ouvindo Pixies, ora Sonic Youth, ora Jesus & Mary Chain...

Mas são os caras mesmo, com a particularidade de serem simulacros-originais.

Um dos poucos prazeres que sinto por viver na era dos computadores: poder ouvir de novo alguma amostra dessas udigrudezas de tempos distantes... para além do mofo das minhas velhas fitas K7.

...

Tá bom... quem foi que falou (ou pensou): "Que cara dinossauro"???

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