segunda-feira, janeiro 07, 2008



"A revolução que está começando questionará não só a sociedade capitalista como também a sociedade industrial. A sociedade de consumo tem de morrer de morte violenta. A sociedade da alienação tem de desaparecer da História. Estamos inventando um mundo novo e original. A imaginação está tomando o poder".

(Manifesto afixado, em 1968, à entrada principal da Sorbonne).

Ora, ora...

Enfim 68 vai virar um quarentão.

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sábado, julho 21, 2007


"Escolha viver. Escolha um emprego. Escolha uma carreira. Escolha uma família. Escolha uma televisão enorme. Escolha lavadoras de roupa, carros, CD players e abridores de latas elétricos. Escolha boa saúde, colesterol baixo e plano dentário. Escolha uma hipoteca a juros fixos. Escolha sua primeira casa. Escolha seus amigos. Escolha roupas esporte e malas combinando. Escolha um terno numa variedade de tecidos. Escolha fazer consertos em casa e pensar na vida domingo de manhã. Escolha sentar-se no sofá e ficar vendo game shows chatos na TV e comendo porcaria fast food. Escolha apodrecer no final, beber num lar que envergonha os filhos egoístas que pôs no mundo para substituí-lo. Escolha o seu futuro. Escolha viver...

Mas por que eu iria querer uma coisa dessas?"

("Trainspotting", 1996)

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sábado, março 10, 2007




Temos de construir um mundo em que palavras como trepar, boceta, camisinha e puta que pariu se tornarão palavras de uso comum, ao passo que termos como guerra, violência, exército, apartheid, discriminação, disparidade social, bolsa de valores e religião serão consideradas as palavras mais sujas que a humanidade conhece.

(Van Duijn)

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terça-feira, janeiro 23, 2007




(((A "dieta" neoliberal que leva fome à África)))

Em 2005, uma crise de alimentos abalou Níger. De uma população de 12 milhões, 3,6 milhões sofreram com a fome e 800.000 crianças enfrentaram a desnutrição. Ativistas alertaram que a fome não foi causada pela seca. "Esta é uma fome estrutural. Uma fome permanente", disse o jornalista Moussa Tchangari. "Ela foi causada por 20 anos de programas de ajuste estrutural".

Segundo o Famine Early Warning System (FEWS), financiado pela USAID (United States Agency for International Development), a produção agrícola ficou apenas 11% abaixo da média de cinco anos e foi, de fato, mais alta que os níveis de 2001-02, quando não houve crise de alimentos. O problema real, de acordo com o FEWS, foi que os preços dos alimentos subiram entre 75% e 80%.

Moussa Tchangari diz que: "A raiz do problema é que por mais de 20 anos as políticas neoliberais têm sido impostas a nosso país. As instituições financeiras internacionais estimulam a agricultura de exportação, de modo que agora não temos produzido o bastante para alimentar a população."

Como muitos países africanos, Níger foi pressionado pelo FMI, pelo Banco Mundial e pelas agências de desenvolvimento da União Européia para que desmantelasse os serviços públicos e que substituísse sua agricultura de subsistência por uma agricultura de exportação.

Em meio à fome, Níger continuava a exportar comida. Milhões de famintos e dezenas de milhares de crianças morriam enquanto os mercados estavam cheios de comida que eles não tinham recursos para comprar.

Nos primeiros meses da crise, o governo do país e o Programa de Combate à Fome das Nações Unidas se recusaram a distribuir comida para o povo porque isso interferiria no livre mercado -- segundo eles, uma condição necessária para Níger sair da miséria.

Tchangari acredita que os problemas de Níger foram causados exatamente por esse modelo de desenvolvimento e que o país necessita de um método diferente. "A solução é implementar uma política agrícola que possa assegurar a auto-suficiência de alimentos. Isso é possível... É uma questão de vontade política."

Veja/baixe um vídeo sobre esse tema.

(((Tradução livre de artigo originalmente publicado em Big Noise Films))

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terça-feira, janeiro 02, 2007

"SOMOS TODOS IRMÃOS, e, no entanto, a cada manhã, este irmão ou esta irmã fazem para mim os serviços que não desejo fazer.

SOMOS TODOS IRMÃOS — e no entanto preciso a cada dia de charuto, de açúcar, de espelho e de outros objetos em cuja fabricação meus irmãos e minhas irmãs, que são meus semelhantes, sacrificaram e sacrificam sua saúde; e sirvo-me destes objetos, e até os reclamo como meu direito.

SOMOS TODOS IRMÃOS — e no entanto ganho a vida trabalhando num banco, ou numa casa de comércio, num estabelecimento cujo resultado é tornar mais custosas todas as mercadorias necessárias a meus irmãos.

SOMOS TODOS IRMÃOS — e no entanto vivo e sou pago para interrogar, julgar e condenar o ladrão e a prostituta, cuja existência resulta de todo meu modo de viver e a quem não se deve, como sei, condenar ou punir.

SOMOS TODOS IRMÃOS — e vivo e sou pago para recolher impostos dos trabalhadores carentes e empregá-los para o bem-estar dos ociosos e dos ricos.

SOMOS TODOS IRMÃOS — e sou pago para pregar aos homens uma suposta fé cristã, na qual eu mesmo não creio, e que os impede de conhecer a verdadeira fé; recebo salário como padre, como bispo, para enganar os homens nas questões, para eles, mais essenciais.

SOMOS TODOS IRMÃOS — mas não forneço ao pobre senão por dinheiro meu trabalho de pedagogo, de médico, de literato.

SOMOS TODOS IRMÃOS — e eu me preparo para o assassinato; aprendendo a assassinar, fabrico armas, pólvora, construo fortalezas e por isso sou pago."

(Tolstoi em "O Reino de Deus Está Dentro de Vós").

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segunda-feira, julho 24, 2006

"O peso do mundo é o amor.
Sob o fardo da solidão,
sob o fardo da insatisfação


o peso
o peso que carregamos
é o amor.


Quem poderia negá-lo?
Em sonhos nos toca o corpo,
em pensamentos constrói um milagre,
na imaginação aflige-se
até tornar-se humano


-sai para fora do coração
ardendo de pureza
-pois o fardo da vida
é o amor,


mas nós carregamos o peso
cansados
e assim temos que descansar
nos braços do amor [...]


quer esteja eu louco ou frio,
obcecado por anjos,
ou por máquinas,
o último desejo é o amor[...]"

(Ginsberg)

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"Porque eu te amo, tu não precisas de mim. Porque tu me amas,
eu não preciso de ti. No amor, jamais nos deixamos completar.
Somos, um para o outro, deliciosamente desnecessários."

(Roberto Freire)

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