terça-feira, julho 04, 2006



tem aquela história da emenda, do soneto...

às vezes a emenda sai pior que o soneto...

não é isso?

mas pode sair melhor, né não?

bom... vou adaptar aqui: os comentários saíram melhor que o texto porque trouxeram à tona coisas que o meu panfletarismo verborrágico deixou de lado. mas são coisas que eu, de verdade, não boto de lado.

mas tem o lance da escrita automática: o texto saiu meio no ritmo frenético de quem faz um panfleto. bebop, charlie parker...


***

sobre marx...

não sou marxista porque... vejo em marx alguns germes de autoritarismo que uma posterior leitura quadrada pode supervalorizar (e, de fato, fez isso, vem fazendo e alguns não param de querer fazer... ); determinada arrogância no debate político e intelectual e... acho que só isso (pelo menos que eu me lembre agora...).

mas não posso ser "antimarxista", ou seja, desconsiderar a importância do seu legado. foi um gênio. deve ser sempre lembrado, utilizado, atualizado... sou fã de marxistas ou de ex-marxistas que trabalharam as suas idéias de uma maneira genial: thompson, marcuse, jameson, castoriadis, guerin, raymond williams...

sobre a questão da dialética, perfeito. não sou especialista, sou só um ranheta, li pouco, falo muito, mas posso dizer que, pelo pouco que sei, era isso mesmo: "uma superação dialética (o q é completamente diferente de progresso linear)".

a dialética é maior que o próprio marx. vejo dialética no pouco que li sobre taoísmo, sobre hinduísmo... enfim, sobre qualquer modo de encarar a realidade em suas contradições, suas múltiplas determinações. (falei merda?)

como não tenho base, não posso entrar numa discussão séria (he he he... maneira canastrona de tirar o corpo fora), mas tive a impressão, em algumas passagens que li, que há, em Marx mesmo, esse investimento na infalibilidade das leis da história. mas aí é como disse: talvez sejam os "textos mais políticos", talvez não seja o "jovem marx", talvez seja o engels, talvez ele estivesse sendo panfletário como eu...

o certo é que as leituras mais mecânicas (tipo stalinismo, estruturalismo marxista...) que são de doer.

o lance é que marx, dialeticamente falando, foi tudo isso aí: gênio, proto-ditador, revolucionário, arrogante, humanista, centralizador... etc, etc, etc.

e se ele foi tudo isso, foi humano. e se foi humano, errou. e se errou, merece crítica.

só escolho, às vezes, o lado que me incomoda, aquele trecho de texto que me soa mal aos ouvidos e... bato um pouco no marx. ele é forte, parrudão, tem anos de tradição e um exército de fortes seguidores. o poder acadêmico, intelectual e polítco do marxismo é considerável. marxistas tiveram um mega-estado na mão, gráficas, sistemas de propaganda e distribuição. bater no marx é muito difícil ...

mas acho que tem que bater mesmo assim porque, na minha visão, ninguém merece a tranquilidade da mumificação.

mas não custa lembrar: se não há um marx (já que o cara escreveu de maneira caótica, deixou temas em aberto e, mesmo assim, tem um pensamento riquíssimo), não há um só marxismo.

eu faço a minha divisão. tem um marxismo redondo (marxismo skol?), aberto, vivo e bom pra ser parte de uma tradição socialista que propõe um projeto alternativo de sociedade (contracultural... pois contrário à cultura hegemônica, ao modo de produção capitalista).

e há o grupo dos marxistas-quadrados, dogmáticos, sectários, que investem em coisas que, até que me convençam do contrário, podem ser prejudiciais. coisas que, a história comprova, fizeram mal.

***

e sobre a burguesia, o progresso...

peguei os "elogios" do Manuscrito para, maleficamente, armar o meu texto e ilustrar com um trecho fora de contexto. fiz como muitos jornalistas safados (alguém aí falou 90% da categoria?) que descontextualizam declarações e publicam tudo menos o que você disse.

é óbvio que os progressos da burguesia são coisas com que todos, não só marx, se admiraram. anarquistas, comunistas, socialistas... todos, afinal, são (forçando muito a barra aqui na expressão) filhos do iluminismo.

se a gente acompanha o trajeto do conceito "revolução", a gente entende que foi a classe burguesa uma das reponsáveis pela idéia de que é possível superar, revolucionar, instaurar um novo.

rompe com a noção do tempo cíclico. e aí a idéia da evolução, do progresso... porra, a burguesia foi foda. toda a idéia de liberdade...

sim, despertaram o germe. agora aguenta!

o germe da destruição pra mim está mais na divisão em classes, na questão do explorador-explorado do que nos grandes feitos. por isso, vejo com maus olhos interpretações mecânicas que fizeram a cabeça de comunistas que viam a revolução em etapas: primeiro desenvolvem-se as forças produtivas, depois as contradições... às vezes tenho uma visão muito mais caótica da história, ainda que certas relações possam (e devam) ser feitas.

é possível interpretar a realidade... mas é necessário transformá-la.

não dá pra negar a razão, cair no irracionalismo. não dá pra negar a história, o materialismo, a dialética.

"fim da história" uma ova!

a contracultura que foi ou que seja contrária ao lado positivo do progresso perde a virulência de contracultura.

tá certo... o termo é poluído. entra na mente um bando de riponga, baseado na mão, querendo criar galinha na serra...

embora nada tenha contra o baseado na mão, gosto de entender contracultura como o que diz a palavra: uma cultura contrária a uma outra, em geral hegemônica.

socialismo, nas atuais circunstâncias, é contracultura. ou estou viajando demais?

mas aí a gente teria de discutir o conceito de cultura e... blurururgfhfhrgrgrhfgftrtrgftrjghjh!!!

chega! se não eu piro!

talvez o texto tenha focado a crítica ao progresso como apelo ao (impossível) retrocesso.

melhor seria entender a critica aos "males do progresso", propondo usos mais benéficos das técnicas, ciências, saberes etc.

não tem mais volta... não deve ter. acho que o marcuse e outros iluminam bem isso aí... mas tô com preguiça de pegar o livro e catar uma citação.

e se há sabedoria num modo de vida mais "primitivo", como o dos índios ou de antigas comunidades, por que não fazer uma re-leitura de pontos adaptáveis à nossa realidade?

se não quisesse um avanço, algo para melhor, creio que poderia jogar toda a noção de progresso pro lixo e virar um "involucionista". mas isso não quero, não posso querer...

aí vem o que foi dito muito bem:

"Pelo que sei, Marx faz sim, no Manifesto Comunista, um elogio declarado à burguesia. Não sei quanto à visão linear da história, mas ele de fato via o advento do capitalismo como um avançar nas condições da humanidade, que possibilitaria o desenvolvimento das forças produtivas, o que, a longo prazo, faria com que a humanidade pudesse se libertar, embora relativamente, das leis da natureza. Isso tem a ver, inclusive, com a sua visão de liberdade. A liberdade, em Marx, não é a liberdade de se sujeitar às leis da natureza, mas justamente a liberdade de tomar certa independência com relação a estas leis, de poder "jogar com a matéria". Isso não tem nada que ver com um elogio da destruição do planeta que é engendrada pelo Capital. Inclusive, pelo pouco que li, Bakunin sustentava uma visão parecida, quando afirmava que o homem só se emancipa progressivamente no seio da sociedade, e que só o trabalho coletivo é que pode realizar a liberdade. Sobre o progresso, acho que não se trata de fazer voltar as antigas relações tribais, pré-capitalistas, mas de avançar, de dar um passo a mais..."

emenda melhor que o soneto.

***

afinal, foram reflexões de porta de birosca: rápidas, ligeiras e gordurosas como coxinha com caldo de cana.

muito obrigado pelos comentários.

serão sempre bem vindos.

e... viva marx... groucho marx!




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20 Comments:

Blogger Linda Blair, possessa said...

JH,

Tb estou a milhas de entender a dialética...mas pra mim ela é a base do pensamento de Marx, pois é de onde ele partiu. É o método dele. Qdo ele pega a dialética hegeliana e vira de ponta cabeça. Só q, sabe como é, né? Estudar filosofia e ainda mais Hegel dá um trabaaaaalho...rsrsr...por isso a maioria dos marxistas prefere pegar o feijão-com-arroz de Marx e utilizá-lo da forma mais fácil e que contemple seus interesses. Mas sem dúvida acho q os autores devem ser dessacralizados e revisistados sempre.


Tenho sérios problemas com o q vc talentosamente definiiu como a "vodka dogmática das múmias do esquerdismo senil". E diria q ela constitui 95% da esquerda mundial. E tb não vejo como uma ditadura do proletariado pode não ser uma ditadura sobre o proletariado.

Ao mesmo tempo, embora o anarquismo que me encante sob diversos pontos de vista, parece-me partir quase de uma crença em características de bondade intrínsecas ao ser humano - pois do contrário como organizar uma sociedade sem Estado sem uma certa preponderância de alguns sobre os outros?(eu sei q o anarquismo é muito mais do q isso e sem dúvida meu conhecimento sobre o assunto é muito raso e devo estar falando algumas bobagens).

Qto à contracultura...simpatizo bastante. Especialmente com a contracultura pré anos 60 - Thoureau,no séc XIX, os beatniks em 50...Hoje em dia acho q a contracultura é constantemente absorvida pelo mercado e vendida como "uma velha calça jeans, azul e desbotada" ou um programa da MTV.

É triste ver que a nova "teiindeiiincia" (sotaque paulista) do Fashion Week é o hippie, e aí a Fausen Haten ou a Yes! fazem um vestido inspirado no flower-power q custa 2.000 reais e q só serve em meia dúzia de top-model-esquelética-milionária. Ao mesmo tempo, não quero criar galinhas em Maromba. Tô bem com minha conexão banda larga e minha TV fechada.

Sobre baseados, drogas e afins...digo a mesma coisa. Sem querer entrar numa lógica simplista da polícia civil do Rio de que "vc é o responsável pela violência qdo compra um baseado", acho q a droga - inclusive o baseadozinho inocente, aliás principalemnte ele - tornou-se um grande negócio. E convenhamos, que uma das máximas do liberalismo é "onde há demanda,procura, há oferta". Logo, estancar a demanda seria uma das muitas medidas pra se acabar com o tráfico/violência/corrupção (não vou entrar nesse assunto q, sem dúvida, implica numa série de coisas). E quem dá mais lucro ao tráfico é justamente o "maconheiro social", aquele q fuma de vez em qdo, numa festa ou todo final de semana. O doidão viciado vive endividado, tentando vender TV e liquidificador - ou sabe se lá dando mais o q - e dá mais problema q lucro (não é à toa q as bocas bombam de quinta a domingo).

Peguemos o caso específico do LSD, droga-estandarte da contracultura. Abrir as portas da percepção, expandir a mente...tudo isso poderia fazer sentido antes de termos a indústria q lucra milhares com "docinhos" similares ao LSD, como o ecstasy por ex, consumidos por playboys q compram a 15, 30 reais e dançam em raves, cuja entrada é mais não sei qto, numa ode ao individualismo hedonista e narcísico (perdão se fui pleonástica nesta última frase).

Enfim, a grande questão é: dá pra existir contracultura hoje em dia? O q é a contracultura hoje? Ir pra Sana, tomar ácido ou ter um blog com uma conexão ultra veloz e sem fios "à la Sub-comandante insurgente Marcos"? Fazer greve ou criar espaços de intervenção nas grandes cidades, através de espaços-movimentos-instalações de arte ou sei lá q mais outras idéias? Votando na Heloísa Helena ou votando nulo?

That is the question...

Sou uma espécie de Hamlet pós-moderno q fica sempre entre a Cruz e a Espada e acaba não fazendo nada por absoluta descrença.

Mas seu ótimo texto é sempre ponto de partida pra várias reflexões em várias direções (ainda que, por vezes, eu me perca mais nas digressões que na estrada principal; mas já q estamos falando de contracultura, o caminho errante é sempre mais interessante, não acha?)

Bjs

Hoje, ass. Linda Blair, pois um espírito baixou em mim.

10:56 AM  
Blogger Linda Blair, possessa said...

PS: Tô roubando os Marxs pra por lá no meu cafofo (c/ créditos, claro).

10:58 AM  
Blogger A. Guerra said...

Este comentário foi removido por um administrador do blog.

1:54 PM  
Blogger A. Guerra said...

Acho que é por aí mesmo. Na verdade, a gente pode dizer que a dialética vai muito além do esquema hegeliano de "tese + antítese = síntese". Se trata, como você disse, de enxergar as contradições da realidade e a realidade das contradições. ;^)
Sobre Marx e o marxismo, o que eu tenho a dizer são coisas básicas. Primeiro, é sempre bom procurar distinguir Marx daquilo que conhecemos como "marxismo". Essa é uma questão complicada, até porque, no decorrer da história do movimento operário, se fizeram muitas confusões em cima do próprio. As distorções foram muitas, desde Engels, passando por Lênin e chegando, por fim, ao ápice do autoritarismo com Stálin. A imagem que se tem hoje de Marx, não é a imagem "original", mas uma outra coisa. Inclusive, como você disse, se não há um Marx (pois Marx era uma figura contraditória como todo ser humano), não existe também um só marxismo. O que existe são várias tendências, variadas interpretações que reivindicam a herança do barbudo. É sempre bom fazer essa separação entre o marxismo ortodoxo/tradicional (leninismo, trotskismo e stalinismo) e as variações libertárias, que incluem, atualmente, o grupo Krisis, Robert Kurz, John Holloway... entre muitos outros. As contradições do movimento marxista histórico com aquilo que Marx defendia são muitas, e daria um bom estudo.
Agora, o que eu acho intragável, é a atitude de certos anarquistas com relação a isso. Eu costumo a ver muitas manifestações de ortodoxia no meio libertário... eu te pergunto, qual a primeira coisa que você aprende nesse meio? Que Marx é um autoritário e ponto final! Muitas vezes as pessoas se põem a criticá-lo sem nunca ter pego um livro dele! O que isso senão um sinal de dogmatismo? Não se pode nunca fazer "tábula rasa" de Marx com base no argumento de ele era "autoritário", assim como não se pode descartar Proudhon simplesmente porque ele é tido como "pequeno-burguês". Os dois lados estão seriamente equivocados, porque estão ambos a rejeitar o diálogo.
Não estou defendendo o diálogo dos anarquistas com o PSTU, o que seria um absurdo, mas sim um diálogo maior (ao menos teórico) do anarquismo com o marxismo heterodoxo.
É verdade que Marx é criticável sob vários aspectos. Mas antes de tudo, é preciso conhecê-lo e reconhecer que a sua obra é um todo caótico (como você ressalta). Por exemplo, poderíamos lembrar que enquanto no Manifesto Comunista ele se põe a defender a tomada do Estado, em "A Guerra Civil na França" ele defende a comuna como sendo o meio político para a emancipação do trabalho. Chega até a criticar o Estado como um "aborto sobrenatural da sociedade". Ou seja, o que eu quero dizer, é que Marx é criticável como qualquer um. Ninguém é perfeito. Não existe um lado "do bem" e um lado "do mal"; apenas se olharmos a questão de forma maniqueísta e redutora. Sobre a contracultura, discutamos depois. hehehe

Agora deixemos disso! Passemos adiante. Não quero ver o seu blog se transformando num fórum marxista. hehehe

À propósito, o Groucho é demais!

Je suis marxiste, tendence Groucho.

2:13 PM  
Blogger FernandoR. said...

Fala JH! tudo bom? Bem legal o post, o Alexandre deve ter gostado, auhahuha =P

Mas eu concordo que não possamos ignorar tudo que Marx disse, e na verdade também me falta leitura em Marx para fazer uma crítica (no sentido de analisar todos os pró´s e contras) da teoria dele.

Já que todos falaram da síntese vamos ver se eu tenho uma contribuição.. Você falou do taoismo e do hinduismo, na verdade acertou na mosca. No hinduismo que, como no marxismo, possui uma visão teleológica (que ruma a uma meta) temos a dialética, o hindu ruma ao que eles chamaram de "Nirdvandva" que significa "livre de opostos", inclusive uma das técnicas que eles usavam para isso era o "neti neti" (no sanscrito) ou nem-nem em portugues(na tradução que os magistas do caos fazem); nessa "técnica" os codigos morais são totalmente abolidos e a decisão ética depende da pessoa, o conflito de deveres no caso.

É interessante sublinhar também que a base do pensamento de Aristóteles é a mediania (como eu botei naquele post) que é o equilibrio entre os opostos... a síntese hegeliana não seria justamente o ultrapassar os opostos contendendo-os? Acho que a dialética e bem antiga, mesmo no mundo ocidental, e talvez remonte até mesmo Heraclito, onde são os opostos que fazem o mundo se mover (aqui eu já posso ta falando bobagem, mas enfim.. :P).

Eu acho interessante o marxismo heterodoxo, e acho que existe muito nele a ser aproveitado, contudo, como em qualquer lugar, existe muito que pode ser deixado de lado.. acho especialmente que falta para a contemporaneidade pensar a pessoa pq afinal, na minha visão, não é a das contradições economicas do sistema capitalista que irá surgir a revolução e mesmo que assim fosse, estariamos fadados a uma nova URSS pq não existia um modo-de-ser diferente do modo tirano (ai entram varias questões..). Mas acho que (me baseando em Trindade) o Marx não falava só que a infraestrutura determinava a superestrutura, mas existia uma dialética entra elas (ai complica mais uma vez, e também me falta conhecimento pra falar, pois qual foi o determinante a priori? pq num pensamento dialético temos que tomar o cuidado para não engessarmos toda história {como talbez tenha feito Marx} no seu inicio {como faz também Freud})..

putz, já escrevi demais... relevem os erros grotescos :P

6:51 AM  
Blogger FernandoR. said...

uauha, po só fui descobrir que este post era, de certa forma, uma resposta ao anterior agora.. então releve que existem coisas que eu falo as quais você já havia falado :P

1:12 PM  
Anonymous Anônimo said...

pô, assim... como direi?

o mais empolgante da parada toda é que vcs, caros leitores-amigos, enriqueceram a pampa um bando de coisas doidas que eu penso sem muita organização.

pô... é muita coisa pra comentar.

não vai dar pra entrar a fundo.

vou tentar ser sintético.

mas o que foi dito tá aí, em suspenso, podendo voltar em papos posteriores...

tá ficando bom esse negócio!

não sei onde a gente vai parar... mas só sei que quero ir. he he he...

JH

7:08 AM  
Anonymous Anônimo said...

Aline "Blair, Possessa, Carrie...":

1. dialética: estou tb a milhas de distância. o que não quer dizer que devemos fazer o mesmo que "a maioria dos marxistas"... ou seja: "pegar o feijão-com-arroz de Marx e utilizá-lo da forma mais fácil e que contemple seus interesses" (ops, mas acho que peguei o que me interessava do marx pra fazer o penúltimo post... he he he... cara escroto!). mas a dialética, complicada pacas, deve ser considerada.

mas não olhem para mim... he he he...

2. "vodka dogmática das múmias do esquerdismo senil": é isso aí... também desce mal pra caramba na minha garganta com sede de novo. ouço muita coisa estapafúrdia por aí...

3. "E tb não vejo como uma ditadura do proletariado pode não ser uma ditadura sobre o proletariado." pois é... como uma criancinha esperando papai noel, espero alguma explicação convincente de algum marxista que ainda insista nisso (muuuuuuitos, por sinal). se me convencerem...

4. "anarquismo"... "parece-me partir quase de uma crença em características de bondade intrínsecas ao ser humano": de fato, já li autores anarquistas -- principalmente os mais "clássicos" -- que investem nisso aí. mas, de certa forma, havia uma certa visão otimista também em marx e cia (eram caras do seu tempo...). quando, na "ideologia alemã", por exemplo, falam aquele lance da ideologia burguesa como "falseamento da realidade"... mas que no caso da classe operária tudo seria mais "transparente", que não haveria isso...

será? fico em dúvida... complicado pacas!

mas acho que há anarquistas (e aqui vale a observação sobre os "vários anarquismos"... como vc já se ligou quando disse "eu sei q o anarquismo é muito mais do q isso") que têm uma visão menos "otimista", teorizam e militam sobre bases mais "concretas"...

meus amigos libertários podem me ajudar, mas acho que é uma tendência do "anarquismo especifista", que não se furta de participar das lutas do cotidiano, e até de, não-sectariamente, fazer "alianças táticas" com movimentos sociais não anarquistas (acho que aí a gente entende a participação/influência em Chiapas, nas ocupações urbanas, nos protestos anti-globalização etc.).

mas não é nada "perfeito", isento de críticas... e não deve ser!

5. "como organizar uma sociedade sem Estado sem uma certa preponderância de alguns sobre os outros"...

pô, esse é um tema que mereceria muitas letras. pelo pouco que entendo do que eu acho razoável nos meios "socialistas libertários" (mais do que "anarquistas", porque aí a gente tem uma visão mais ampla da participação de outros grupos no debate) é que tudo passa por uma questão de "acento". se o leninismo destaca (excessivamente, a meu ver) o papel da liderança, socialistas libertários tentam diluir isso com descentralização, autogestão, autonomia... (temas que não dá pra gente esmiuçar aqui... tb nem tenho competência pra tanto). não que não haja, por exemplo, uma preponderância: alguns vão ter uma oratória melhor, vão propor mais, vão, de certa forma, "liderar"... mas é uma liderança que a todo instante se bota em xeque, se auto-dilui, se coloca a questão da descentralização, da horizontalidade...

no caso do estado, eu vejo o seguinte: organização não tem nada a ver com estado. posso propor um sistema descentralizado, mas que mantenha, para questões mais amplas, organismos mais gerais, como a federação.

é uma quesão de acento: não "sem estado=sem ordem", mas "sem estado=nova ordem"... acredite: uma ordem que exigiria muito mais disciplina e organização de cada um.

mas tudo é especulação e, mais do que isso, impressões minhas a respeito de leituras/conversas esparsas... mas é muuuuuuuuuuito complicado... aí entra a "fase de transição" num possível período revolucionário... putz! tema espinhoso...

mas às vezes fico pensando: por que na rússia revolucionária não se investiu mais na autonomia dos sovietes... mesmo com a tal "ditadura do proletariado"? revolução deve rimar sempre com centralização? ou era mesmo manobra dos bolcheviques chapadões com o ópio do poder? precisava massacrar opositores como em krondstat, ou na ucrânia?

pra pensar... (pensa aí que eu já tô cansado... he he he).


6. contracultura: como falei, tema poluído. vc observou bem... sistemão pegou muita coisa e transformou em merda. se bem que, já nos 60/70, tinha muita merda sendo dita também...

é o que falei: o legado da contracultura fundamental pra mim é o investimento no subjetivo (muito vindo do "resgate" da filosofia oriental). aquele lance da "nova consciência", "auto-revolução"...

afinal, como ser "libertariamente disciplinado" se vc não muda sua cabeça (não "sua", de você... mas no sentido geral) moralista, sexista, agressiva... mas isso aí muitos socialistas já pegaram e falaram antes... anarquistas na revolução espanhola, por exemplo, preocupados com a questão feminina... o marx dos manuscritos discutindo a "coisificação" do ser humano...

mas aí complica porque o tal "investimento no subjetivo" se dilui num discurso particularista, que não se liga na totalidade, no dialéitco etc... e cai naqueles psicologismos, naqueles pós-modernismos... aí é foda... acaba negando aquela parada totalizante que é fundamental.

"dá pra existir contracultura hoje em dia? O q é a contracultura hoje?"

acho que sim... se contracultura for mais sinônimo de "cultura contra-hegemônica" do que "flower power"... é o que eu gostaria que fosse.



7. sobre drogas... putz... aí ferrou! só digo o seguinte: as drogas estão aí, estiveram e vão estar pra sempre (profeta????). o que se diz, se faz, se reclama... diz respeito ao modo como a sociedade lida com isso. haxixe e maconha faziam parte da rotina dos povos antigos do oriente e da região ali perto do mar morto (acho que é esse... ou o cáspio... sei lá!). na índia, a repressão do império britânico criou uma realidade que não existia então. a dupont, nos eua, fez lobby pra acabar com as plantações de cânhamo (que tem aplicações econômicas fabulosas...). o mesmo pode ser dito do peiote, do ópio etc, etc...

eu acredito que repressão não dá mais. uma política de redução de danos e descriminalização seria o mais razoável... pra ontem. plantações públicas, distribuição controlada...

haveria mercado negro? provável! mas acho que muitos usuários iriam preferir a segurança de um coffe shop do que ficar no meio de dois criminosos: o policial e o traficante.

são interesses... como vc disse " um grande negócio". acho que quem dá mais lucro ao tráfico é a existência do próprio tráfico, balizada na existência da proibição, na criminalização... quem dá mais lucro aos estados militarizados são os grandes traficantes, boas justificativas para usar a força, para mapear regiões estratégicas ("plano colômbia").

"estancar a demanda" é utopia. não vai acabar, não vai diminuir, só faz aumentar... remédios de tarja preta, cervejinha no fim de semana, big mac com fritas... todo mundo quer estimular a produção de serotonina... todo mundo quer ter prazer nesse mundo louco.

acho que o saldo negativo da repressão ao tráfico é muito grande, atinge quem não usa etc. etc... mas, realidade seja dita, a lógica da "redução dos danos" e "descriminalização" não vai emplacar tão cedo numa sociedade careta como a nossa (sem falar na dos EUA... conservadora até o talo... e são eles que ditam a política mundial em relação às drogas).

agora... realmente, o uso que se faz de drogas -- incluindo os "expansores da mente" -- é completamente diferente do que propuseram alguns que viam nelas, não um fim, mas uma das formas de brincar com a percepção. mas é como pra bebida, né: vai ter o boêmio brilhante, que bebe umas taças de vinho e fala coisas interessantes, e vai ter o bêbado chorão, agressivo...

problema das drogas?

aí vem o lance da pureza tb... com o tráfico comandando o negócio, muita mistura, muita enganação... pior pra saúde.

um cara das antigas com quem eu conversei uma vez me disse: "já tomou lsd? não? pois não vai tomar nunca mais... o que tem aí é tudo anfetamina". bom... sei lá, pode fazer sentido.

sei lá, sei lá... só sei que peguei essa estrada paralela e já tô me perdendo... muito difícil resumir coisas aqui... mas só penso assim: "redução de danos" + "descriminalização"... acho que poderia funcionar melhor...

num mundo ideal que só tem na minha cabeça de vento... rs


8. "Sou uma espécie de Hamlet pós-moderno q fica sempre entre a Cruz e a Espada e acaba não fazendo nada por absoluta descrença."...

esquenta não que vc não tá sozinha. me sinto assim às-vezes-quase-sempre... só que acabo querendo fazer para acreditar, ou acreditar para fazer... ficar parado é muito ruim, né não?

valeeeeeeeeeeeeu.....


JH

7:16 AM  
Anonymous Anônimo said...

grande Alexandre "a.guerra" (e paz?)... rs

1. "a dialética vai muito além do esquema hegeliano de "tese + antítese = síntese".Se trata, como você disse, de enxergar as contradições da realidade e a realidade das contradições"

pô... mandou... sem comentário!

2. "Sobre Marx e o marxismo"...

é foda... mas é isso aí... tem sempre alguém lançando livro com título "o verdadeiro marx"... acho que o barbudão se remexe no túmulo com vários desses aí...

mas o esforço é válido: sublinhar os vários caminhos da "plataforma de pensamento marxista" (como diria uma professora, marxista e sagaz, que tive).

me agrada tb o "marxismo heterodoxo" ("libertário"... diriam alguns).

3. "atitude de certos anarquistas com relação a isso. Eu costumo a ver muitas manifestações de ortodoxia no meio libertário..." "Muitas vezes as pessoas se põem a criticá-lo sem nunca ter pego um livro dele! O que isso senão um sinal de dogmatismo? Não se pode nunca fazer "tábula rasa" de Marx com base no argumento de ele era "autoritário", assim como não se pode descartar Proudhon simplesmente porque ele é tido como "pequeno-burguês". Os dois lados estão seriamente equivocados, porque estão ambos a rejeitar o diálogo."

corretíssimo... o selo "anarquista" não exime ninguém do dogmatismo, da ortodoxia... ainda que veja que, na militância política, às vezes seja inevitável reduzir o pensamento contrário pra defender as próprias convicções...

mesmo assim muita coisa bizarra acontece. tem uma galera aí que se diz "anarquista classista", porque (supostamente) trabalha com um anarquismo "puro", que considera apenas bakunin e maknho como anarquistas "de verdade", que diz que kropotikin não presta, que diz que alguns anarquistas que militam nos movimentos sociais são "liberais pequeno-burgueses"... o foda que um amigo meu me disse que um desses grupos fez aliança com o pstu (!!!???). tem de tudo, meu irmão...

4. "um diálogo maior (ao menos teórico) do anarquismo com o marxismo heterodoxo. É verdade que Marx é criticável sob vários aspectos. Mas antes de tudo, é preciso conhecê-lo e reconhecer que a sua obra é um todo caótico (como você ressalta)."

acho um bom diálogo... sinistro são aqueles pontos de tensão.

mas acho que esse "diálogo maior" é vital pra construir uma alternativa socialista e... libertária. que sepulte "as múmias do esquerdismo senil".

5. "enquanto no Manifesto Comunista ele se põe a defender a tomada do Estado, em "A Guerra Civil na França" ele defende a comuna como sendo o meio político para a emancipação do trabalho. Chega até a criticar o Estado como um "aborto sobrenatural da sociedade". Ou seja, o que eu quero dizer, é que Marx é criticável como qualquer um."

isso aí... o marx e outros socialistas eram críticos ferozes do estado burguês. o problema é quando superinflam o papel do "estado operário" (como acho que ocorre no manifesto, por exemplo...)

6. "Sobre a contracultura, discutamos depois. hehehe"

que bom... he he he... já tô ficando cansado!

7. "Não quero ver o seu blog se transformando num fórum marxista"

nem eu!

abs

JH

7:19 AM  
Anonymous Anônimo said...

fala Fernando!

tudo beleza!

1. "na verdade também me falta leitura em Marx para fazer uma crítica (no sentido de analisar todos os pró´s e contras) "

tô na mesma situação, cumpadi...


2. " Você falou do taoismo e do hinduismo, na verdade acertou na mosca. No hinduismo que, como no marxismo, possui uma visão teleológica (que ruma a uma meta) temos a dialética, o hindu ruma ao que eles chamaram de "Nirdvandva" que significa "livre de opostos", inclusive uma das técnicas que eles usavam para isso era o "neti neti" (no sanscrito) ou nem-nem em portugues(na tradução que os magistas do caos fazem); nessa "técnica" os codigos morais são totalmente abolidos e a decisão ética depende da pessoa, o conflito de deveres no caso"

pô... era isso mesmo que eu queria dizer. mas tu foste mais brilhante... mandou!

3. "É interessante sublinhar também que a base do pensamento de Aristóteles é a mediania (como eu botei naquele post) que é o equilibrio entre os opostos... a síntese hegeliana não seria justamente o ultrapassar os opostos contendendo-os? Acho que a dialética e bem antiga, mesmo no mundo ocidental, e talvez remonte até mesmo Heraclito, onde são os opostos que fazem o mundo se mover (aqui eu já posso ta falando bobagem, mas enfim."

beleza... "meio termo justo"... não é isso?

e é o que eu quis dizer quando disse (eta... que redundante!): "a dialética é maior que o próprio marx"

4. " acho especialmente que falta para a contemporaneidade pensar a pessoa pq afinal, na minha visão, não é a das contradições economicas do sistema capitalista que irá surgir a revolução e mesmo que assim fosse, estariamos fadados a uma nova URSS pq não existia um modo-de-ser diferente do modo tirano (ai entram varias questões..). Mas acho que (me baseando em Trindade) o Marx não falava só que a infraestrutura determinava a superestrutura, mas existia uma dialética entra elas (ai complica mais uma vez, e também me falta conhecimento pra falar, pois qual foi o determinante a priori? pq num pensamento dialético temos que tomar o cuidado para não engessarmos toda história {como talbez tenha feito Marx} no seu inicio {como faz também Freud}).."

beleza... aí que pego aquele lance do "legado da contracultura": essa discussão de outros pontos, não só os econômicos... mas pegando o "modo-de-ser", o subjetivo etc...

mas bom marxistas já viam a questão do "modo de produção" como um modo-de-ser também... não reduziam só ao econômico... ou subvertiam a parada da base-superestrutura...

caracoles... meu teclado vai voar...

paro por aqui, meu povo.

mais uma vez: valeu pelos comentários de alto nível...

fui...

JH

PS.: e olha que eu disse que seria "sintético"... putz!

7:21 AM  
Anonymous Carrie, a Estranha said...

Ainda sobre as drogas:

Tb acho q deveria descrimilizar. Aliás, qdo eu e meu amigo Pink estivermos no poder, a gente vai liberar todas as drogas como uma das medidas pra acabar com o tráfico.

Acho q sem dúvida o problema não é a droga, mas o uso q se faz dela. Mas esse papo de a cervejinha do final de semana = McDonalds com fritas = maconha...(bom, eu sei q não foi isso o que vc disse, mas sim a busca do prazer q todas essas coisas trazem). Acho meio furada. Por mais q antidepressivo seja droga, por mais q os gdes laboratórios sejam tão mafiosos qto os traficantes, eu acho q, como vc mesmo disse, com a alteração das drogas cada vez maior, AINDA é preferível e seguro tomar um antidepressivo do q fumar um baseado/cervejinha todo dia. Talvez eu esteja usando um argumento por demais iluminista, vc diria, mas eu ainda acredito na ciência (não apenas nela, mas tb nela).

E pra quem realmente tem problemas com a depressão esse papo é muito perigoso. Maconha/álcool são drogas depressoras do sistema nervoso central, embora gerem um bem estar momentâneo. Vc se sente bem na hora, mas depois é muito pior. Antidepressivo não. Sem contar q o antidepressivo (os mais modernos, claro) não te deixa prostrado como o álcool e a maconha.

As drogas sintéticas - além de estarem já bastante adulteradas como vc bem disse - abrem as portas não só da percepção, mas tb da esquizofrenia e outras doenças mentais em quem já tem uma predisposição genética (ainda q a esquizofrenia seja de causa obscura ainda, mas enfim...se ficarmos fazendo todos os adendos o texto não sai do lugar).

Bom, são tantas as implicações em relação às drogas hoje em dia q eu acho, sim, q existe uma enorme diferença entre fumar um baseado ou tomar um antidepressivo. Não creio q esteja sendo preconceituosa pois um preconceito é algo q se tem a priori sobre algo. O q não é o meu caso (se é q vc me entende). Assim como há diferença entre tomar um antidepressivo e um Lexotan ou Valium, q só te dopa. O q tb é muito diferente do uso de alucinógenos como parte de rituais xamânicos ou outros fins religiosos. Mas q eu tb tenho minhas implicâncias. Nessa onda, então, seria válido o q a Opus Dei fez com fiéis nos EUA: induzindo-os a consumir mescalina pra q o êxtase produzido por essa fosse confundido ao êxtase religioso (essa eu li no Código da Vinci! Rsrsrs)?

Talvez realmente o problema esteja no uso q se faz...só q eu acho q esse "uso" vem sendo padronizado, como tudo mais nesse nosso mundo globalizado e não pensando individualmente, sacou? Tipo o discuro é sempre "eu-fumo-pq-não-é-nada-demais-e-é-igual-tomar-um-calmante". O q eu não acho q seja (acho q esse parágrafo ficou meio confuso, mas tá valendo).

Acho q é o tipo de questão q cada um tem uma opinião segundo sua própria vivência não é mesmo?

Se é q vc me entende...

Bjs

1:52 PM  
Anonymous Anônimo said...

muitas coisas escritas... comentários a balde que já me contemplam suficientemente bem.

vou tentar ser mais sintético e podem me acusar de reducionismo:

"O marxismo não é ciência, porque até a ciência evoluiu."

piadinha fora de hora, claro.

http://www.1936.blogger.com.br

Mr. Durden

11:44 AM  
Anonymous Anônimo said...

E já ia esquecendo. Cara Marcuse é muito bom.

Tenho ótimos trechos dele guardados no lado direito do cerebelo. :)

Mr. Durden

11:46 AM  
Anonymous Anônimo said...

beleza, Mr. Durden!

piadinha boa e válida... he he he

saudáveis provocações...


********************

e, carrie...

pra sepultar o assunto "drogas" (rendeu! he he he...):

concordo! existe enorme diferença entre álcool, tarja preta e maconha...

álcool e tarja preta são bem piores! (rs)

paro por aqui...

bjs e abs, caros amigos...

jh

5:47 AM  
Anonymous Anônimo said...

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9:44 PM  
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5:53 PM  

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